Curadoria no Café
dezembro de 2011 / janeiro de 2012
Carlos Gonzalez
Carlos Gonzalez (Duca), nascido em 1974, vive e trabalha em São Paulo. Trabalhou com design e comunicação por mais de 16 anos. Possui um canal no You Tube onde publica o registro de seus processos artísticos em pinturas, tal como registros de performance e video-artes com o total de 54.500 visualizações do material disponível desde junho de 2008.
William Keri – Texto Curatorial
Notas sobre alguns espaços ativados (e em atividade)
O espaço físico
Pode ser qualquer lugar onde você se encontre: uma sala, um parque, um museu. O mais objetivo, mas não necessariamente o mais simples de ser apreendido. Quantas vezes você toma um café e nem nota o que está presente no entorno? Vamos pensar que hoje vivemos também em espaços que não são físicos, mas sim virtuais como a internet, por exemplo, e neste quase tudo nos é entregue de forma muito rápida.
Façamos uma pausa. Que lugar é este?
Um Café e, já que estamos falando sobre, também um espaço expositivo.
O espaço da pintura
A pintura com toda sua tradição em representar o mundo real através de uma superfície plana, fato que a história da arte nos confirma. Eventualmente ela pode continuar a representar elementos da nossa realidade, no entanto hoje sua função seria mais a de nos apresentar uma situação ou, neste caso específico, de nos reapresentar um dado espaço. É também assim que uma pintura pode alterar a configuração de um espaço e mesmo propor inúmeros outros, até mesmo especulares.
Muito já se disse da pintura com propriedades de reflexo semelhantes a dos espelhos. Será que ela reflete mesmo o que queremos ver?
O espaço social
A maioria dos espaços de arte, e aqui mais precisamente os museus e centros culturais, são espaços destinados a um uso coletivo, onde os agentes, o público, se relaciona com elementos de sua cultura. Dentro dessa lógica áreas adjacentes como cafés, lojas e livrarias existem como espaços que se mesclam às salas de apresentação de propostas e objetos artísticos. Se entrecruzam assim um sistema de identidades e de volume de acumulação de capital(is) simbólico(s), não necessariamente o capital de valor monetário, mas a cultura e educação por exemplo. Pela sua apropriação e valorização, as diversas classes de agentes redefinem as suas posições relativas em determinados espaços físicos como este.
O espaço da arte
O seu papel será o de criar um espaço ilusório que espelha todos os outros espaços reais, todos os sítios em que a vida é repartida, e expondo-os como ainda mais ilusórios.
Este texto objetiva indicar algumas proposições acerca do trabalho artístico intitulado Antroporcos de Carlos Gonzalez sem a pretensão de ser ele próprio um texto crítico sobre o trabalho ou que venha complementá-lo. Ficam de fora análise de linguagem e elementos formais em detrimento de algumas indicações conceituais suscitadas pelo trabalho, talvez mais urgenciais para esta especificidade. O formato ora pensado objetiva além de realizar a aproximação do espectador ser ele mesmo de alguma maneira parte da proposta em sintonia com o(s) espaço(s) ativado(s).
William Keridezembro de 2011
